Respirar fundo. Saber que há dias menos bons a que todos nós temos direito. Dias em que gostamos menos de quem somos. Dias em que nos aturamos menos. Dias em que queremos ser mais do que somos. Respirar fundo e saber que as palavras menos boas que nos dizemos são apenas reflexo de querermos fazer melhor — porque, no mais fundo de nós, acreditamos ter essa capacidade. Respirar fundo e saber que há dias menos bons que, por vezes, acabam por se tornar nos melhores de todos. Sem estarmos à espera. Se deixarmos. Se percebermos que há uma certa sabedoria em permitir que as horas e os momentos sigam o seu próprio rumo. Se nos deixarmos levar pelo inesperado da vida.

Respirar fundo e saber que respirar fundo não resolve nada só por si. Não transforma as coisas más em coisas boas. E não chega para trazer soluções para os problemas duros da vida. Mas ajuda tanto.

Ajuda a ter calma. Ajuda a dar espaço e tempo à vida — a vida em nosso redor e a vida em nós. Ajuda a aceitar melhor que nem tudo precisa de ser perfeito — que nós próprios não precisamos de ser perfeitos. Que apenas precisamos de ser. Porque ser já é tanto. Estarmos vivos é já tanto.

About the Author: Laura Azevedo

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