Wonderful May – PT2020-05-17T17:44:05+01:00

O tempo

Os sonhos mudam. Os medos mudam. As rotinas mudam. E as pessoas mudam com eles. A vida muda. E o mundo muda também. Todos os dias, tudo em nós (e em nosso redor) muda. Por vezes, de forma discreta, singela, quase invisível. Outras vezes, de forma mais óbvia, imperativa e inevitável. Mas nunca nada se mantém exatamente igual no tempo. É também isso que é o tempo.

// 59º dia de confinamento em Londres. //

By |Maio 19th, 2020|Categories: Notas breves|0 Comments

Os sonhos nunca podem morrer

«Aconteça o que acontecer, e independentemente daquilo em que a vida nos tentar transformar, os sonhos nunca podem morrer. Temos de viver a nossa vida com eles no coração: grandes, cheios de vontade, cheios de expectativa, cheios de certezas. E, mesmo quando a vida nos abrir o coração ao meio e nele escarafunchar com dedos longos, que parecem agulhas, temos de resistir. Aí, na verdade, Miguel, é mesmo quando temos de lutar mais. Com unhas e dentes e seguindo o nosso instinto. Aí é quando temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para nos termos — a nós próprios — de volta e para não permitirmos que a vida nos leve, outra vez, de nós.»

// Do meu livro Apeteces-me //

By |Maio 18th, 2020|Categories: Livro «Apetece(s)-me»|0 Comments

O bom no meio do (muito) mau

Houve alturas, na minha vida, em que senti ser colocada em situações mais difíceis do que acreditava merecer. Difíceis, duras, inesperadas e intensas. De desamparo e dor. Situações onde me senti sozinha — nos sentimentos e nos momentos — e onde dependi apenas de mim para erguer a cabeça e seguir em frente. Situações pelas quais todos nós, em algum momento da nossa vida, passamos. Porque todos nós temos a nossa história.

Com esses momentos aprendi duas coisas muito importantes. Que tenho mais força e resiliência do que, por vezes, julgo ter. E que a melhor forma de ultrapassar o que de pior me acontece (e impedir que, a longo prazo, me transforme numa pessoa amarga e sem fé nas pessoas e na vida) é fazendo um esforço para retirar algo de positivo mesmo dos momentos mais difíceis e duros. Esse algo pode ser uma pessoa que surge na minha vida, uma paixão inesperada que descubro, um hábito novo que enriquece o meu dia a dia ou uma rotina diferente que aprendo a apreciar.

Sei que nem sempre é fácil encontrar o bom no meio do mau. Mais difícil ainda: encontrar o bom no meio do muito, muito mau. E também sei que há perdas na nossa vida que nunca mais se substituem. Mas ele (o bom) está lá — apesar e depois de tudo. Basta olhar com atenção.

By |Maio 17th, 2020|Categories: Notas breves|0 Comments

Saudades de ir

Tenho saudades do pôr do sol à beira-mar. Tenho saudades de ir pela terra batida, de parar os meus passos para respirar fundo e assim ficar: a admirar, serenamente, a natureza em meu redor. Tenho saudades dos passeios de carro por aí e das janelas abertas, em viagens felizes, para deixar entrar o ar quente do verão. Saudades de descobrir novos lugares, de conversar pelas ruas abertas de gente. Saudades de saborear paladares novos em esplanadas cheias de luz. Tenho saudades da liberdade de poder ir. E da liberdade de poder ficar. Essa liberdade que — tão erradamente — temos como certa.

// 56º dia de confinamento em Londres. //

By |Maio 16th, 2020|Categories: Notas breves|2 Comments

O caminho que nos ensina

Há momentos da nossa vida em que desejamos tanto ir por um caminho diferente. Estamos fartos dos obstáculos, das dificuldades. Estamos fartos de não saber como agir, o que fazer, o que dizer. Estamos fartos de não saber o que sentir. Fartos, sobretudo, da dor. Nesses momentos, a vida encosta-nos à parede e não nos dá outra alternativa senão aguentar. Aguentamos a custo. Sentimos tanto. Choramos. Questionamos tudo. E, no âmago, só temos espaço para desejar para nós um caminho diferente, que seja mais leve.

Mas, por vezes, esse caminho mais leve não é o melhor para nós. Porque aquilo de que precisamos, para a nossa vida, é de ir pelo caminho mais difícil — pelo que tem mais obstáculos, pelo que dói mais no corpo, pelo que nos faz sentir não ter alternativa. E aguentamos a (muito) custo. Sentimos tanto (e tudo). Choramos tanto (e tudo). Questionamos tudo (e tantas vezes). Até percebermos que há sempre alternativa. Até sermos invadidos por uma força interior que nos dá, finalmente, a certeza de que somos capazes de enfrentar e superar tudo.

E ressurgimos. Com mais força. Adaptamo-nos. Reinventamo-nos. E percebemos, por fim, que, afinal, esse caminho tão difícil era necessário. Para crescermos. Para mudarmos. Para evoluirmos. Para vermos a vida de uma forma diferente. Para aprendermos uma forma diferente de existir. Uma forma melhor, e mais sábia, de existir.

By |Maio 15th, 2020|Categories: Notas breves|0 Comments

Dizer não

Aprender a dizer não. Dar passos a um ritmo que seja o nosso. Reconhecer que qualquer realidade pode assumir mais do que uma tonalidade, dependendo de quem a vive e sente. Respeitar essa diferença. E respeitar, acima de tudo, que essa diferença é razão suficiente para se querer e sentir algo diferente do outro. Aprender a dizer não, mesmo quando o mundo inteiro nos força a um sim — quando é a resposta mais difícil. Aprender a dizer não ao outro, mas também a nós mesmos — porque, por vezes, também é preciso.

By |Maio 14th, 2020|Categories: Notas breves|0 Comments

Deixar ir

É preciso deixar ir. É preciso cortar de vez a ligação com o passado. É preciso abandonar as recordações que nos prendem ao que foi. É preciso perder o medo de construir memórias novas e ganhar fôlego para viver intensamente o que aí vem. É preciso olhar ao espelho e voltar a admirar os milhares de pormenores bonitos de que somos feitos e que, por vezes (tantas), esquecemos ter no meio da rejeição, da desilusão e da dor. É preciso agradecer quem está, quem fica, quem permanece ao nosso lado, mas também quem esteve e decidiu ir — pelo que nos deu enquanto esteve e pelo que nos deu ao ir: a liberdade para encontrar algo melhor para nós, que nos dê (e acrescente) o valor que merecemos.

By |Maio 13th, 2020|Categories: Notas breves|8 Comments

Vontade de ver o lado bom

Acredito que quase mais importante do que os problemas com que nos deparamos, ao longo da vida, é a forma como olhamos para eles. Se nos deixamos amedrontar e abalar. Se perdemos a coragem… ou se a ganhamos ainda mais. Se nos escondemos da realidade… ou se nos chegamos à frente e enfrentamos aquilo que tiver de ser. Se nos focamos apenas nos aspetos negativos… ou se tentamos ver especialmente os positivos, procurando-os no meio dos outros que parecem tão assustadoramente grandes. Se vemos o que de pior nos acontece como um azar que nos condiciona e limita a vida e a capacidade de sermos felizes… ou se fazemos um esforço para entender o que nos acontece e retirar dele algo positivo — como uma lição de vida, uma pessoa especial que nos foi colocada no caminho, uma parte de nós que amadureceu ou uma certeza que se tornou mais certa em nós. Alguns caminhos são tão áridos, que aquilo que a vida exige de nós (quando nos pede para os superarmos) é uma força e uma determinação tremendas. Tantas vezes, duvidamos tê-las.

O modo como vemos as coisas, sim, importa incrivelmente tanto (e tanto). E, apesar de nem sempre podermos mudar o que nos acontece, podemos mudar (educando-nos a nós próprios) o modo como o vemos e aceitamos. É apenas isto, tantas vezes, que faz verdadeiramente a diferença entre sermos felizes… ou não.

By |Maio 12th, 2020|Categories: Notas breves|0 Comments

Valer a pena

Enquanto houver luz e sol; enquanto houver mar imenso a desbravar caminho na areia salgada; enquanto houver vento suave no rosto em finais de dias de verão; enquanto houver o doce paladar do pão quente; enquanto houver janelas abertas, de par em par, para deixar entrar a brisa fresca das noites; enquanto houver cantorias da alma mesmo em dias de maior tempestade; enquanto houver abraços que reconfortam, e palavras que compreendem, e mãos que se estendem para amparar os dias, e que curam feridas; enquanto houver vontade de fazer promessas que se perpetuem no tempo e na vida; enquanto houver sonhos que tornem os dias mais cheios; enquanto houver segredos que dancem entre nós, e nos aproximem muito mais do que nos afastem; e enquanto houver silêncio profundo e calmo, que saiba trazer de volta a magia de admirar o mundo e absorver cada mínimo detalhe de que ele é feito: haverá sempre, viva em mim, esta menina pequena que abre os olhos grandes (de profundo espanto) à vida, deslumbrada com os mais pequenos detalhes*.

* São eles que fazem a vida valer a pena.

By |Maio 11th, 2020|Categories: Notas breves|0 Comments

Pessoas bonitas

Pessoas bonitas não se trazem a si próprias sempre com um sorriso no rosto, mesmo quando o mundo se abate sobre elas. Pessoas bonitas não dizem sempre a palavra certa. Pessoas bonitas também não são aquelas que estão sempre bonitas por fora — no jeito da camisa, na leveza do cabelo, no cheiro da pele, no sorriso leve. Até porque o sempre, aqui ou em qualquer outra frase, é demasiado finito.

Pessoas bonitas são aquelas que se trazem a si próprias exatamente como são: imperfeitas. Para se darem inteiras. Genuínas. Para se darem à vida, e aos outros, de peito aberto, com leveza e sabedoria.

By |Maio 9th, 2020|Categories: Notas breves|0 Comments
Laura Almeida Azevedo,
autora + ilustradora